Mil mulheres Sem Terra ocupam a fábrica de celulose da Suzano em Mucuri

Na madrugada desta segunda-feira (5/3), mais de mil trabalhadoras rurais Sem Terra ocuparam a frente da fábrica da Suzano Papel e Celulose, localizada em Mucuri.

As mulheres denunciam os problemas relacionados à crise hídrica no município, causados, segundo elas, pela produção em grande escala de eucalipto, a pulverização aérea realizada nas áreas da Suzano, os monocultivos e uso de sementes transgênicas no manejo produtivo.

“Dois pontos da denúncia merecem destaque. O primeiro é o processo de pulverização área que é proibido por lei em alguns municípios do Espirito Santo. De acordo com o relatório apresentado pela subcomissão que debate o tema na Câmara dos Deputados, em Santa Catarina cerca de 70% dos agrotóxicos aplicados por aviões não atingem o alvo. São jogados diretamente no entorno, áreas urbanas, rios, animais, propriedades dedicadas ao cultivo orgânico, além de causar a mortalidade de insetos importantes para a polinização das plantas, como abelhas e borboletas”, relata o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), que coordena o protesto.

Outro elemento da denúncia, que ganha destaque com a ocupação, é o plantio desenfreado de eucalipto. As mulheres Sem Terra afirmam que os monocultivos têm provocado uma grande crise hídrica na região por conta do alto consumo das árvores, que plantadas sem responsabilidade social e com objetivos financeiros, têm secado os mananciais de água doce.

Para Maristela Cunha, da direção estadual do MST, não se pode aceitar uma empresa que não respeita o meio ambiente e nem as pessoas. “Estamos aqui para dizer que não aceitamos monocultivos de eucalipto em nossa região.  Queremos solução para questão hídrica em Mucuri já e que nossas pautas sejam atendidas”, enfatiza.

Jornada Nacional 

A ocupação faz parte da Jornada Nacional de Luta das Mulheres Sem Terra, que prevê a mobilização de milhares de trabalhadoras do campo e da cidade em todo país com o objetivo de protestar contra o governo de Michel Temer. Com o lema “Quem não se movimenta, não sente as cadeias que o prendem”, a Jornada na Bahia denuncia as privatizações, a violência, os latifúndios improdutivos e pauta a construção da Reforma Agrária Popular, com foco na luta pela democracia. (Da redação TN)

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