Musa e muso dos caminhoneiros são ‘eleitos’ em meio a protesto em Salvador


Caminhoneiros também tiveram momentos de descontração nesta sexta; conheça

 

Em meio aos corpos castigados pelo trabalho e pelo tempo, uma moça e um rapaz destoavam. Ele, um moreno magro, de lábios finos e levemente rosados, com corte de cabelo da moda e na mesma cor da barba e do cavanhaque: ruivo. Ela, loira, dona de um belo sorriso realçado por um batom vermelho na medida.

Eles são os musos do protesto dos caminhoneiros, eleitos informalmente nos próprios locais de concentração, nesta sexta-feira (25). A caminhoneira Lis Macedo, 27 anos, e o colega de profissão Felipe Santos, 27, curtiram momentos de ligeira fama e descontração nas imediações do bairro da Valéria, em Salvador, no quinto dia de protesto.

A musa
Quem olha para a pele lisa, sem nenhuma ruga aparente, talvez não aposte que Lis Macedo é mãe de dois filhos. Piorou arriscar que, diante do perfil mais recorrente entre os profissionais da setor, que é caminhoneira. Sim, mulher de fibra, de boleia, com personalidade e acostumada a passar dias e dias pelas estradas Brasil afora.

 

“Graças a Deus, tenho pessoas de confiança que podem cuidar dos meus filhos na minha ausência”, comentou a dona de um sorriso pra lá de largo e envolvente.

Vinda de uma família de caminhoneiros – pai, mãe e irmãos –, Lis é casada também com um motorista viajante.

“Meu marido está de férias e por isso não está no protesto. Mas minha mãe está há uma semana parada em Sergipe e dirige um bitrem”, comenta ela, que transporta uma carga de produtos de limpeza.

Enquanto Lis conversava com o CORREIO, uns e outros mais desinibidos paravam para cumprimentá-la. Em todas as ocasiões não lhe faltaram elogios.

“Ela é a nossa musa”, dizia um dos eleitores informais. “Ela não é só uma mulher bonita. É muito educada e todo mundo a respeita”, disse outro. “É uma lutadora. Todo dia digo à minha mulher pra ser igual a ela”, brincou um terceiro, a certa distância de Lis, que, como outra mulher, retocava o batom enquanto se admirava no espelho.

“Oxe! Não dá pra falar alto não. Ela é muito bem casada, assim como eu.  Mas isso não quer dizer que eu possa admirar o cardápio”, brincou a musa, sem fazer greve de sorriso e simpatia.

O muso
Se isolarmos Felipe Santos da tensão que envolvia o protesto e toda a confusão decorrente dele, bem que o rapaz poderia ser mais um desses surfistas que somam à beleza das praias baianas.

O caminhoneiro Felipe Santos, 27, na manifestação (Foto: Bruno Wendel/CORREIO)

A camisa na estampa floral sobre a metade da bermuda preta desenhava o peitoral firme, erguido nos seus 1,75m de altura, ao mesmo tempo que encobria o abdômen supostamente definido, típico daquelas tão cobiçadas entradas entre o tórax e a pelve.

Nos braços, os músculos definidos estão sob extensas veias saltadas como mais uma demonstração de força. A voz cortante encorajava os colegas de piquete.

“Tinha um caminhão parado, mas a gente liberou porque o motorista disse tinha uma filha que estava doente e que dependia dele. A gente é caminhoneiro, mas é também pai de família e estamos aqui lutando pelos nossos direitos”, disse o rapaz.

Antes de posar para foto e ser gravado pelo CORREIO, ajeitou com as mãos o cabelo e a barba. Além de bom mocismo e bom humor, vaidade também vale.

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