Quem é o General da reserva Hamilton Mourão eleito vice-presidente


Após 46 anos na ativa, ele entrou para a reserva do Exército em fevereiro deste ano. Ele possui nove condecorações como militar e foi a quarta opção de Jair Bolsonaro para compor a chapa. Na campanha, colecionou declarações polêmicas.

O general da reserva Antonio Hamilton Martins Mourão, vice-presidente eleito, tem 65 anos e é natural de Porto Alegre. Ingressou na Academia Militar das Agulhas Negras em fevereiro de 1972, quando tinha 18 anos. Permaneceu na ativa durante 46 anos, até fevereiro deste ano.

Durante a vida militar, Hamilton Mourão foi instrutor na Academia das Agulhas Negras, atuou na Missão de Paz em Angola e foi adido militar na Embaixada do Brasil na Venezuela. Também comandou o 27° Grupo de Artilharia de Campanha em Ijuí (RS), a 2ª Brigada de Infantaria de Selva em São Gabriel da Cachoeira (AM) e a 6ª Divisão de Exército, em Porto Alegre.

Filiado ao PRTB, Mourão foi anunciado vice de Bolsonaro em 5 de agosto, depois que o senador Magno Malta (PR), o general Augusto Heleno (PRP) e a advogada Janaína Paschoal (PSL) recusaram convite para ocupar o posto. Para viabilizar a aliança com o PSL, o presidente do PRTB, Levy Fidelix, desistiu da candidatura à Presidência.

O general Hamilton Mourão, durante palestra no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul em 2015 — Foto: Sergio Trentini/TJ-RS

O general Hamilton Mourão, durante palestra no Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul em 2015 — Foto: Sergio Trentini/TJ-RS

Carreira no exército

Filho do general Antonio Hamilton Mourão e de Wanda Coronel Martins Mourão, o novo vice-presidente do Brasil fez cursos básicos de paraquedismo, mestre de salto e salto livre. Ele possui também o curso de guerra na selva. Possui nove condecorações – duas pelo tempo em que passou na Venezuela: Cruz Militar ao Mérito Desportivo e Ordem do Mérito Estrela de Carabobo.

Também recebeu, pela missão de paz em Angola, uma Medalha das Nações Unidas. A missão criada pela Conselho de Segurança das Nações Unidas buscava a manutenção da paz no país africano após um período de guerra civil.

Na reserva desde fevereiro deste ano, Mourão acumulou, desde 2015, duas exonerações de postos de comando no Exército. A primeira, durante a gestão Dilma Rousseff, ocorreu após críticas ao governo. Ele disse, durante uma palestra, que era preciso um “despertar para a luta patriótica” como saída para a crise política do país.

Devido à declaração, foi exonerado do Comando Militar do Sul e designado para assumir uma posição na Secretaria de Economia e Finanças do Exército, onde ficou até 2017.

No fim do ano passado, foi destituído do cargo após fazer críticas ao governo Michel Temer. Em uma palestra, em dezembro, Mourão comparou o governo Temer a um “balcão de negócios”.

Em setembro de 2017, Mourão já havia se envolvido em polêmica, quando, também em uma palestra, disse que se o Judiciário não retirasse corruptos da vida pública, os militares deveriam agir.

Após deixar o cargo na secretaria, ficou ligado à Secretaria Geral do Exército, sem função específica.

Mourão entrou para a reserva do Exército em fevereiro de 2018. Na cerimônia de despedida, disse que o Judiciário deveria “expurgar” Temer da vida pública. Na mesma ocasião, chamou de “herói” o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra, morto em 2015. Ustra foi chefe do DOI-Codi do II Exército, em São Paulo, órgão de repressão política durante a ditadura militar.

O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, posa para foto ao lado do general Mourão durante sua posse na presidência do Clube Militar, no centro do Rio de Janeiro, em junho de 2018 — Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

O candidato à Presidência pelo PSL, Jair Bolsonaro, posa para foto ao lado do general Mourão durante sua posse na presidência do Clube Militar, no centro do Rio de Janeiro, em junho de 2018 — Foto: Fábio Motta/Estadão Conteúdo

Em junho deste ano, Mourão assumiu o comando do Clube Militar, antes de ser designado vice na chapa de Bolsonaro.

Durante a campanha, causou polêmica após dizer, em um evento no Rio Grande do Sul, que o Brasil herdou “indolência” da cultura indígena e “malandragem” do africano. A declaração foi repudiada por diversas entidades.

Após a repercussão da fala, o candidato a vice disse ter sido mal interpretado e ressaltou que em momento algum fez referência a indígenas e africanos de forma pejorativa. Afirmou ainda que não é racista, reforçou sua origem indígena, e disse que “o brasileiro precisa conhecer a sua origem para as coisas boas e não tão boas”. Ele, inclusive, se autodeclarou indígena no pedido de registro de candidatura feito junto ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Central das Eleições, da GloboNews, recebeu o general Hamilton Mourão, então candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro

Central das Eleições, da GloboNews, recebeu o general Hamilton Mourão, então candidato a vice na chapa de Jair Bolsonaro

‘Autogolpe’ e constituinte

Em outro momento da campanha, o general afirmou, em entrevista à GloboNews que, em situação hipotética de anarquia, poderia haver um “autogolpe” por parte do presidente com apoio das Forças Armadas.

Também foi bastante criticado por ter se declarado favorável à elaboração de uma nova Constituição, por meio de uma constituinte composta por notáveis que não precisariam ser eleitos.

Em ambos os casos, Mourão foi desautorizado por Bolsonaro, que disse que o colega de chapa foi “infeliz” ao dar essas declarações e que, apesar de Mourão ser general e ele capitão, quem mandará no governo será o presidente.

Depois das polêmicas, em entrevista à colunista do G1 Andréia Sadi, o novo vice-presidente disse que tem opiniões e que não será um vice “anencéfalo”.

‘Jabuticaba’

Em setembro deste ano, Mourão se viu no centro de mais uma polêmica. Em palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas de Uruguaiana (RS), discursou contra fatores que, segundo ele, encarecem a contratação de mão de obra. Nessa fala, chamou o 13º salário de “jabuticaba”.

“Temos algumas jabuticabas que a gente sabe que são uma mochila nas costas de todo empresário. Jabuticabas brasileiras: 13º salário. Se a gente arrecada 12, como é que nós pagamos 13? É complicado. E é o único lugar onde a pessoa entra em férias e ganha mais. É aqui no Brasil. Então, são coisas nossas. A legislação que está aí é sempre aquela visão dita social, mas com o chapéu dos outros, não é com o chapéu do governo”, afirmou na ocasião.

Novamente, foi desautorizado publicamente por Bolsonaro que disse, em sua conta no Twitter, que só critica o 13º salário quem desconhece a Constituição. Ele ainda classificou a crítica ao 13º como uma “ofensa” a quem trabalha.

Fonte: G1

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