Representantes de 7 presidenciáveis apresentam propostas sobre segurança em evento do Monitor da Violência


Participaram do evento em Brasília representantes de Alvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Lula (PT), Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU).

Representantes de sete candidatos à Presidência da República apresentaram nesta terça-feira (21), em Brasília, propostas sobre segurança pública em um evento do Monitor da Violência, parceria do G1 com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública e o Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP).

O Monitor da Violência tem por objetivo retratar a epidemia de violência no Brasil e apontar caminhos para resolvê-la.

Todos os 13 presidenciáveis foram convidados. Compareceram representantes de Álvaro Dias (Podemos), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Guilherme Boulos (PSOL), Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marina Silva (Rede) e Vera Lúcia (PSTU).

A discussão foi dividida em três partes:

  • No primeiro bloco, os representantes dos candidatos responderam a duas perguntas: “Como pretende baixar o número de homicídios no Brasil?” e “Como pretende enfrentar a violência contra a mulher?”
  • No segundo bloco, os representantes responderam a perguntas formuladas pela plateia
  • Na última parte, os representantes fizeram as considerações finais.

O representante de Henrique Meirelles (MDB) chegou depois de iniciado o evento e, por isso, não participou de nenhum dos blocos. Ao final, ele respondeu às perguntas feitas no primeiro bloco, mas não abordou o tema da violência contra a mulher.

Considerações finais de 7 assessores de presidenciáveis em evento do Monitor da Violência

Considerações finais de 7 assessores de presidenciáveis em evento do Monitor da Violência

Propostas

Confira abaixo as propostas apresentadas pelos representantes dos candidatos à Presidência, por ordem de apresentação:

TIAGO IVO ODON (Álvaro Dias – Podemos)

  • Redução de homicídios – O representante de Álvaro Dias defendeu mudar o método atual de policiamento de “reativo” para “estratégico”, com métodos e metas. Tiago Ivo Odon disse ser necessário investimento em tecnologia, sistemas informatizados de estatísticas com manchas criminais para orientação do policiamento e informações em tempo real e avaliação das polícias. Ele também defendeu o “tripé” de “financiamento, indução e capacitação” e estabelecimento de metas para estados, condicionando a liberação de recursos ao cumprimento das metas. Ele também propôs a capacitação de policiais por meio de uma Academia Nacional de Polícia. Disse ainda que é preciso priorizar uma reforma do sistema prisional. “Quando retira de circulação [o criminoso], você reduz homicídios no período seguinte. Precisamos reformar prisões, ampliá-las, construir novas. Com aprisionamento, reduz-se homicídios” disse.
  • Violência contra a mulher – Sobre como pretende pretende enfrentar a violência contra as mulheres, Odon defendeu a criação de vagas em abrigos para vítimas de violência e também o policiamento comunitário.

GUARACY MINGARDI (Ciro Gomes – PDT)

  • Redução de homicídios – O representante de Ciro Gomes disse ser necessário retirar os “insumos” de crimes violentos, homicídio e feminicídio. Para isso, defendeu o controle do tráfico de armas e o policiamento das fronteiras. Guaracy Mingardi também defendeu a criação de uma Escola Nacional de Segurança Pública. “Lá, vamos capacitar policiais civis para investigação de homicídios”, declarou. Segundo ele, outra prioridade da escola será o trabalho para policiamento preventivo em áreas mais violentas. Ele também defendeu um sistema integrado de proteção a vítimas de violência e a testemunhas. Guaracy Mingardi disse que é preciso unificar o registro de armas no país, desenvolver um sistema de inteligência sobre armas, e ajudar no controle de armas legais.
  • Violência contra a mulher – Guaracy afirmou que, se o PDT assumir o Planalto, vai incentivar e ampliar a Ronda Maria da Penha, aumentar o número de delegacias da mulher e criar um protocolo para atendimento à mulher vítima de violência que tenha “atendimento, registro, exames, encaminhamento para médicos e psicólogos”.

LEANDRO PIQUET CARNEIRO (Geraldo Alckmin – PSDB)

  • Redução de homicídios – O representante de Geraldo Alckmin afirmou ser preciso investir na capacitação dos policiais com uma academia de polícia nacional e com um currículo básico de formação para policiais militares e civis, privilegiando boas práticas de investigação e de policiamento onstensivo. Ele também defendeu o desenvolvimento de metas que seja “efetivo”. “No que diz respeito a ter um objetivo, [queremos] chegar a uma taxa de 20 homicídios por 100 mil habitantes. É possível, é ousado, mas é possível reduzir em 35% os homicídios”, declarou. “Sem meta, a gente acorda de manhã sem saber o que tem que ser feito”, disse.
  • Violência contra as mulheres – Leandro Piquet Carneiro disse ser preciso criar um protocolo de atendimento a mulheres vítimas de violência e integrá-lo com outros setores, como saúde, direitos humanos e Justiça. “Esse protocolo dos sinais de violência, é importante que seja compartilhado”, afirmou.

CORONEL IBIS (Guilherme Boulos – PSOL)

  • Redução de homicídios – O representante de Guilherme Boulos disse que é necessário prevenir para reduzir o número de homicídios. Para isso, acrescentou, é preciso criar políticas públicas para jovens pobres por eles serem as “principais vítimas”. Coronel Ibis defendeu rever a emenda constitucional que limitou os gastos públicos por 20 anos para viabilizar investimentos na segurança pública. “Este monte de gente morta, 63 mil pessoas mortas, esse número assombroso, essa insegurança é muito mais um efeito, é uma febre [decorrente] da sociedade escravocrata que ainda somos”, afirmou. O representante de Boulos disse que a prevenção para homicídios passa pela melhoria de condição de vida dos mais pobres. “Precisa disputar o jovem pobre com o tráfico de drogas”, completou.
  • Violência contra a mulher – O representante de Guilherme Boulos defendeu mudar a cultura de que a mulher é “propriedade” do homem. Ele também disse que é preciso ter políticas públicas de assistência às mulheres vítimas de violência. “Prender os assassinos das mulheres é fundamental, para isso a gente precisa melhorar investigação”, concluiu.

PAULO TEIXEIRA (Lula – PT)

  • Redução de homicídios – O representante do ex-presidente Lula defendeu a integração de entes federativos, das polícias, do sistema de polícia com a justiça criminal, e de sistemas de prevenção. “É fundamental melhorar a polícia, fazer com que tenha maior conhecimento de técnicas investigativas”, disse. Ele defendeu, ainda, a diminuição das Operações de Garantia da Lei e da Ordem que, na avaliação dele, retiram dinheiro que poderia ser investido na capacitação das polícias. O representante do PT também falou de investimentos em equipamentos e reforma do sistema carcerário. “Pessoas que possam cumprir medidas alternativas à prisão devem cumprir. Temos que ter uma nova política sobre drogas e continuar as políticas de desarmamento e controle de armas”, disse.
  • Violência contra as mulheres – Paulo Teixeira destacou que Lula criou a Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres e sancionou a Lei Maria da Penha, e Dilma Rousseff, o Programa Mulher Sem Violência e o Disque 180. Ele defendeu, ainda, que as delegacias especializadas de atendimento à mulher devem funcionar todos os dias da semana, inclusive nos sábados e domingos, sem fechar aos finais de semana.

ARTHUR TRINDADE (Marina Silva – Rede)

  • Redução de homicídios – O representante de Marina Silva avaliou que o país “fracassou” na tentativa de reverter a crescente onda de homicídios e, por isso, é necessário “protagonismo” do governo federal além de um pacto nacional liderado pelo Palácio do Planalto. “Cabe, sim, ao governo federal liderar uma política nacional de redução de homicídios”, disse. “Homicídios são concentrados no grupo pobre, negro, e em periferias de cidades no brasil. Esses homicídios dizem respeito a uma serie de violências relacionadas ao crime organizado, às gangues, às drogas. É preciso uma resposta pactuada na federação, uma proposta que inclua o protagonismo do governo federal e pactos com estados e municípios”, acrescentou.
  • Violência contra as mulheres – Trindade destacou que as mulheres são as principais vítimas de violência direta e indireta e hoje não há uma política pública para tratar disso. Para ele, a política pública de atenção às mulheres deve ser desenvolvida pelo próximo presidente. “Esse tema precisa ser tratado e o governo federal precisa finalmente assumir sua responsabilidade na segurança pública”, ressaltou.

ANTÔNIO GUILLEN (Vera Lúcia – PSTU)

  • Redução de homicídios – O representante de Vera Lúcia destacou que as principais vítimas de homicídios são jovens negros e pobres e que a “ostensividade não tem reduzido a violência. O “encarceramento em massa”, acrescentou, não é a solução para o problema. Diante disso, defendeu a mudança do sistema capitalista para um sistema socialista. “Com o sistema capitalista que concentra renda, não vai haver o fim da violência. […] O fim da violência precisa de medidas sociais, geração de emprego, distribuição de renda. Chamamos o povo a uma rebelião, que ponha abaixo as desigualdades”, disse. Ele defendeu o fim da “luta contra trabalhadores” e do “encarceramento de massa”, dos decretos de garantia da lei e da ordem (GLOs), das intervenções militares, e da Força Nacional. Também defendeu a legalização das drogas, a desmilitarização da Polícia Militar e o direito à autodefesa.
  • Violência contra a mulher – Para reduzir a violência contra a mulher, o representante do PSTU defendeu a criação de secretarias das mulheres, o incentivo a delegacias especializadas e a criação de casas de abrigo a vítimas da violência doméstica em todas as cidades. Ele também disse que, se Vera Lúcia for eleita, criará uma bolsa assistencial para mulheres vítimas de violência no valor de, pelo menos, um salário mínimo, de forma a garantir a independência financeira dessas pessoas.

JOSÉ MÁRCIO CAMARGO (Henrique Meirelles – MDB)

  • Propostas para a segurança – O representante de Henrique Meirelles disse que o programa do candidato para a segurança pública está calcado em três pilares: diminuição da impunidade com reformas no Código Penal e na Constituição; policiamento ostensivo com reforma nas polícias militares; e reforma no sistema penitenciário. Em relação ao policiamento ostensivo, José Márcio Camargo afirmou que Meirelles pretende implementar grupos interdisciplinares de policiamento com quatro pessoas: dois policiais militares, um agente civil treinado pelas Forças Armadas e um assistente social. “Esses grupos vão patrulhar as cidades do país e também no campo […]. Com esse policiamento, vamos conseguir fazer uma reforma na Polícia Militar de forma que você possa prender as pessoas corretas e não prender simplesmente o pequeno infrator”, disse. Camargo disse que é necessário fazer a reforma no sistema penitenciário porque, na avaliação dele, as “pessoas saem piores do que entraram”. A intenção, segundo o assessor, é construir penitenciárias novas, privatizando a construção e outros serviços, deixando a segurança com o estado. Nos presídios, segundo Camargo, o contato entre agentes penitenciários e presos será “quase nenhum” para evitar “promiscuidade”.

Fonte: G1

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