O Jornal GloboNews  preparou uma série de reportagens sobre pedofilia. Para os pais, garantir a segurança dos filhos na internet é um dos grandes desafios atualmente.

PERIGO NA INTERNET

No Brasil, oito em cada dez crianças e adolescentes têm acesso à internet. Mas aplicativos que hoje são onipresentes na vida da maioria dos jovens também podem expor seus usuários a uma atividade criminosa.

“Nós tivemos casos que chamaram muita atenção pela quantidade gigantesca de arquivos compartilhados. Nós estamos falando de vídeos de crianças sendo abusadas, mas também nós identificamos tutoriais de como abusar de crianças e dificultar qualquer rastro pra que os pais não percebam”, relata Rodrigo Sanfurgo, delegado da Polícia Federal.

Estatuto da Criança e do Adolescente prevê pena de um a seis anos de prisão, além de multa, para quem responde por crimes ligados a pornografia infantil. Mas a punição pode ser pior quando ocorre um crime previsto no código penal – como o estupro.

Deep Web é o nome que se dá às camadas mais profundas da rede. É um espaço muito diferente da internet que a gente usa no dia a dia. O acesso é difícil, mas os criminosos se aproveitam, principalmente, do anonimato que ela proporciona para compartilhar pornografia infantil.

CONTATO PELAS REDES SOCIAIS

Uma em cada cinco crianças e adolescentes que usam a internet no Brasil diz ter visto imagens ou vídeos com conteúdo sexual. Destas, 18% receberam esse material através de mensagens e nas redes sociais.

Esses são pedidos de ajuda enviados à SaferNet, entidade que combate crimes e violações aos direitos humanos virtuais
Em 2016, a SaferNet recebeu mais de 13 mil mensagens.

“Muitas vezes as crianças demoram a perceber que tem algo de errado acontecendo. Acham que estão conversando com um amigo da mesma idade, esse amigo pode pedir alguma imagem. Não necessariamente ela percebe que aquilo se trata de uma violência”, explica Juliana Cunha, coordenadora psicossocial da SaferNet.

PEDOFILIA É DOENÇA CRÔNICA

Apedofilia é uma doença crônica, que não tem cura. Os médicos fazem uma comparação com a diabetes e o alcoolismo, que exigem cuidado redobrado e tratamento por muito tempo, ou talvez por toda a vida. Neste sentido, a internet surgiu como um complicador, tanto para os pacientes quanto para os profissionais que fazem esse acompanhamento.

A comunidade médica diz que é muito difícil evitar recaídas. O primeiro passo para o sucesso do tratamento esbarra, muitas vezes, na motivação do paciente. O tratamento prévio é apontado como medida preventiva. Ou, se for tarde demais, investir no tratamento como medida complementar a uma pena de prisão. Essa política ainda engatinha no Brasil.

“Essa doença tem que ser tratada. Você trata sobre as drogas, sobre a bebida, e tudo isso aí. É complicado, mas tem tratamento também. Se você for prender todos aqueles que são viciados em drogas, pode ver que a maioria sai de lá pior do que entrou”, diz um paciente.

CRÉDITOS:

Reportagem: Isabela Leite
Produção: Leo Arcoverde e Isabela Leite
Imagens: Roald Júnior
Edição: Andrea Palatnik e Fábio Kameya
Edição de internet: Ana Maria Ramalho

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