Cleptomania: o desejo irresistível de furtar. Ou a maldição dos políticos brasileiros.

Não há cura, mas o acompanhamento clínico com medicação e psicoterapia possibilita controlar o impulso.

Certamente você já ouviu alguma história de alguém que furtou um objeto sem valor em alguma loja, supermercado ou até mesmo na casa de um conhecido e que a pessoa teria, inclusive, condições de compra-lo. E, a despeito do ato, são pessoas com boa índole, tanto que você nunca imaginaria que ela seria capaz disto. O que a levou, então, a ter este comportamento?

Cleptomania, palavra que vem do grego antigo, Klepto, e que significa roubar, é um transtorno do controle dos impulsos onde o paciente tem dificuldades para resistir ao impulso de furtar objetos sem valor monetário e até mesmo desnecessários ao uso pessoal. Tanto que tais pacientes, na maioria das vezes, doam, guardam ou jogam fora o objeto furtado.

Neste contexto, o ato em si é mais importante, o prazer do desafio, e não em possuir o objeto, o que o diferencia de um ladrão que planeja e usufrui aquilo que furtou/roubou. Na cleptomania o desejo é espontâneo e irresistível.

No entanto, mesmo sabendo que é errado, o paciente não consegue controlar o impulso. Há uma tensão crescente antes de cometer o furto, seguida de alívio após a realização e, posteriormente, um sentimento de vergonha e culpa que, apesar disso, não impede que o desejo volte mais tarde, repetindo o ciclo.

Na mente do cleptomaníaco o furto é uma forma de compensação de alguma sensação de perda, que muitas vezes ele não sabe identificar de imediato, aliviando sua ansiedade, tensão e episódios depressivos. Ele não faz isso para se vingar de alguém ou movido pelo ódio e sim para ter conforto emocional.

Além de alterações na área do cérebro, responsável pelo controle dos impulsos, o perfil do cleptomaníaco é de uma pessoa carente de afeto, com raízes na infância. Os cleptomaníacos, geralmente, buscam compensar alguma ausência de atenção dos pais, sem ter consciência disto.

É muito difícil a sociedade, em geral, acreditarem que tal comportamento se trata de uma doença psiquiátrica, uma vez que o ato de roubar ou furtar tem implicações morais. Por isso os pacientes não procuram ajuda já que, além da vergonha, sentem que serão incompreendidos ou até mesmo presos.

Todavia é preciso refletir sobre a cleptomania para ajudar o paciente, ao invés de julga-lo injustamente. Há casos onde tais pacientes são detidos e, com isso, há consequências negativas para sua imagem pessoal e profissional, levando alguns deles ao uso abusivo de álcool/drogas, o isolamento social e pensamentos suicidas devido ao constrangimento e humilhação.

Não há cura, mas o acompanhamento clínico com medicação e psicoterapia possibilita controlar o impulso.

Fonte: BahiaExtremoSul

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