Morre o escritor e professor da Ufba Edivaldo Machado Boaventura

Morreu, na madrugada desta quarta-feira (22), aos 84 anos, o escritor e professor da Universidade Federal da Bahia (Ufba), Edivaldo Boaventura. Ele não resistiu a complicações de uma cirurgia cardíaca.

Bacharel em Direito e em Ciências Sociais pela Ufba, Boaventura era natural do município de Feira de Santana. Ele cursou o Instituto International de Planificação de Educação/UNESCO, em Paris, era mestre e PhD em Educação pela The Pennsylvania State University, nos Estados Unidos. Em 1996, o professor assumiu a direção-geral do jornal A TARDE.

Boaventura foi secretário de Educação e Cultura da Bahia por duas vezes, uma entre 1970 e 1971 e a outra entre 1983 e 1987. Na última gestão como secretário, foi responsável pela criação da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), credenciou a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS) e impulsionou a criação da Universidade Estadual do Sudoeste Baiano (UESB) e Universidade Estadual de Santa Cruz (UESC).

Entre os anos de 2007 e 2011, Edivaldo presidiu a Academia de Letras da Bahia. A trajetória do educador foi reconhecida pelo governo de Portugal em junho deste ano, quando ele foi condecorado com a Ordem da Instrução Pública no grau de Comendador, pelos serviços prestados à educação e cultura nos dois países de língua portuguesa. Boaventura deixa esposa e dois filhos, entre eles, o ator e cantor Daniel Boaventura. Ainda não há informações sobre velório e sepultamento.

BIOGRAFIA

Edivaldo Machado Boaventura, filho de Osvaldo Abreu Boaventura e Edith Machado Boaventura, nasceu em Feira de Santana, Bahia, em 10 de dezembro de 1933. Cursou o secundário com os jesuítas, no Colégio Antônio  Vieira. Bacharelou-se em Direito (1959), em Ciências Sociais (1969), doutorou-se e obteve a LivreDocência (1964) pela Universidade Federal da Bahia  (UFBA). É Mestre (1980) e Ph.D. (1981) em Educação pela  The Pennsylvania State University, EUA.

            Em 1961, casou-se com Solange do Rego Boaventura. O casal tem três filhos, Lídia, Daniel e Pedro Augusto (falecido) e quatro netas.

            Uma vez graduado, em 1960, iniciou o doutorado em Direito, começou a lecionar, na Escola de Serviço Social da Bahia, e entrou para o Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. Trabalhou na SUDENE (1961-1983), como Técnico de Desenvolvimento Econômico. Em 1962, iniciou a carreira de magistério, na UFBA, comoprofessor contratado da Escola de Administração,  para ensinar economia. Foi juiz federal do trabalho (1963-1970), quando publicou o seu primeiro livro Introdução ao enquadramento sindical. Em 1964, obteve o seu primeiro doutorado com a tese Incentivos ao desenvolvimento regional, pela UFBA. No ano acadêmico 1964-1965, cursou a Universidade de Paris, primeira viagem de estudos ao exterior, e o Instituto da América Latina, trabalhou então O papel do setor público no desenvolvimentodo Nordeste com o professor Alain Barrère. Como iniciação à metodologia, escreveu Como ordenar as idéias. Regressando ao Brasil, regeu a cátedra de EconomiaPolítica da Faculdade de Direito da UFBA.

            O ano de 1968 foi decisivo para a sua opção pela educação. A convite do reitor Roberto Santos, implantou a Assessoria de Planejamento encarregada da reforma universitária, quando publicou Universidade em mudança.  Como professor adjunto, transferiu-se da Escola de Administração  para a Faculdade de Educaçãoda UFBA, da qual é um dos fundadores e entrou para o Conselho Estadual de Educação da Bahia (1968-1983, 1991-1996), presidindo-o de 1976 a 1978.

            Em substituição ao professor Luiz Navarro de Brito e por sua indicação, o governador Luiz Viana Filho o escolheu para titular da Secretaria de Educação e Cultura da Bahia (1970/1071). Desempenhando pela primeira vez  este cargo, contratou e iniciou as escolas polivalentes, implantou as Faculdades de Formação de Professores, concluiu os Centros Integrados de Educação, participou ativamente da criação da Universidade Estadual de Feira de Santana, sua terra natal. Por sugestão de Pedro Calmon, criou o Parque Histórico Castro Alves, o primeiro parque fundado na Bahia. Problemas da educação baiana e Espírito de julgamentotratam dessa gestão.

            Participou da Harvard Summer School, em 1967 e 1969. Visitou  oficialmente os EUA, em 1970, e conheceu Departamentos Estaduais de Educação e Universidades. Foi o início do relacionamento com as universidades norte-americanas e canadenses.

            Em 1971, submeteu-se ao concurso de professor titular, último cargo da carreira docente, com a tese O departamento na Universidade. No mesmo ano, foi eleito para a Academia de Letras da Bahia. A convite do diretor Raymond Poignant  pesquisou, no Instituto Internacional de Planejamento  da Educação(IIPE/UNESCO, 1971-1972), nas áreas de financiamento e planejamento da educação, carta escolar, sistema de educação, educação permanente, tendo concluído  o programa de pesquisas com a monografia O ensino superior  na  Bahia: estudo da reforma, da evolução dos efetivos e do financiamento.

            Com a experiência internacional do IIPE, retornou à UFBA e integrou-se no Programa de Mestrado em Educação da UFBA.  Como coordenador, de 1974 a1978, manteve intensos contatos com a Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), que apoiou financeiramente o programa, e participou da criação da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Educação (ANPED). Trabalhou com sistemas e estruturas de ensino, planejamento,metodologia da pesquisa e história da educação. Como membro do Conselho de Coordenação da UFBA, compôs e presidiu a Câmara de Ensino de Pós-Graduação e Pesquisa.

            Com o crescimento da pós-graduação, realizou o mestrado e o doutorado em educação, na The Pennsylvania State University (EUA),  com a dissertação A estrutura legal da educação brasileira (1980), e com a tese de Ph.D. Um estudo das funções e das responsabilidades do Conselho Estadual de Educação da Bahia, Brasil , de 1963-1975.( 1981).Obtém, assim,  o seu segundo doutorado. Relatou a experiência norte-americana com a publicação  A segunda casa e As etapas do doutorado.

            Volta a dirigir a Secretaria de Educação da Bahia (1983-1987), decididamente interioriza a educação superior estadual, até então, concentrada na capital. Cria e dirige a Universidade do Estado da Bahia (UNEB), universidade multicampi, credencia a UEFS, impulsiona a UESB e apoia a  futura UESC. Objetivando a escolaridade, aumenta o número de escolas e convenciona com os municípios a expansão da educação básica.  Implanta os Estudos Africanos na escola baiana e cria o Parque Estadual de Canudos. Recebe o prêmio The Alumni Fellow Award 1989 pela Universidade que o doutorou.

            No retorno à UFBA, coordena a criação do Doutorado em Educação, que implanta em 1991. É o primeiro do Nordeste. Intensifica a orientação de  dissertaçõese teses, ensina e publica Metodologia da  pesquisa, trabalha  pioneiramente o Direito Educacional, editando A educação brasileira e o direito. Nos 50 anos da UFBA dá à estampa UFBA: trajetória de uma universidade. Em 1995, realiza pós-doutorado na Universidade do Québec, em Montreal, Canadá.

            Cursa a Escola Superior de Guerra, entra para o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, Academia Brasileira de Educação e Academia Portuguesa da História, realiza estudos e viagens a Portugal.

            Ao jubilar-se, os alunos publicam o Festschrift, Educação, cultura e direito: coletânea em homenagem a Edivaldo M. Boaventura (2005). No ano seguinte a UFBA o distingue com o título de professor emérito.

            Em 1996, ingressa no jornal A TARDE, como diretor geral, e dá especial atenção ao projeto A TARDE Educação, colocando o jornal nas escolas do interior da Bahia. A partir de 2000 ensina e orienta pesquisa na Universidade Salvador (UNIFACS), no Programa de Mestrado e Doutorado em Desenvolvimento Regional e Urbano (PPDRU).

Em 2010, completa 50 anos de magistério, dedica-se a iniciativas culturais. De 2007 a 2011,  preside a Academia de Letras da Bahia  (Salvador, 01/11/2011).

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Obras Literárias

 

  • Introdução ao enquadramento sindical. Salvador: Artes Gráficas da Escola Luís Tarquínio/Senai, 1963.
  • Incentivos ao desenvolvimento regional. Salvador: Faculdade de Direito, Universidade da Bahia, Salvador.
  • Ordenamento de idéias. Salvador: Estuário, 1969.
  • Universidade em mudança: problemas de estrutura e de funcionamento da educação superior. Salvador: Imprensa Oficial da Bahia, 1971.
  • O departamento na universidade: Salvador: Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 1971.
  • L’Enseignement Supérieur à Bahia: étude de la réforme de l’evolution des efectifs et du fInancement de l’Université Fédérale de Bahia au Brésil. Paris: IIEP/UNESCO, 1972.
  • Problemas da educação baiana. Salvador: Universitária, 1977.
  • Espírito de julgamento: ensaios em prol da cultura. Salvador: Universitária, 1978.
  • The legal framework of Brazilian education. The Pennsylvania State University, State College (PA): 1980.
  • A study of the legal functions and responsibilities of the State Council of Education of Bahia, Brazil, from 1963 to 1975. – The Pennsylvania State University, State College, 1981.
  • A segunda casa. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1984.
  • Pela causa da educação e da cultura: Salvador: Secretaria da Educação e Cultura, 1984.
  • Papéis e personalidades de baianos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1985.
  • (Org.) Pedro Calmonvida e glória. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, Salvador: Secretaria de Estado da Educação e Cultura da Bahia/Academia de Letras da Bahia, 1986. 248p.
  • Universidade e multiversidade. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1986.
  • Tempos construtivos. Salvador: Arpoador, 1987.
  • Tempo de educar: pronunciamentos sobre educação e cultura1984 e 1985. Salvador: Secretaria de Educação e Cultura, 1987.
  • Como ordenar as idéias. São Paulo: Ática, 1988. (Princípios, 128); 2. ed. São Paulo: Ática, 1988. (Princípios, 128); 3. ed. São Paulo: Ática, 1993. 59p. (Princípios, 128); 4. ed. São Paulo: Ática, 1995. (Princípios, 128); 5. ed. São Paulo: Ática, 1997. (Princípios, 128); 6. ed. São Paulo: Ática, 1999. (Princípios, 128); 7. ed. São Paulo: Ática, 1999. (Princípios, 128); 8. ed. São Paulo: Ática, 2002. (Princípios, 128).
  • Gente da Bahia. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1990.
  • (Org.) Homenagem a Luiz Viana Filho. Brasília: Centro Gráfico do Senado Federal, 1991.
  • O Conselho de Educação da Bahia: 1963 e 1967. Salvador: Conselho Estadual de Educação da Bahia, 1993.
  • As etapas do doutorado. Salvador: Universidade do Estado da Bahia, 1994.
  • Encontro com a educação. Salvador: Universidade Federal da Bahia, 1996.
  • Estudos sobre Castro Alves. Salvador: Universidade Federal da Bahia/Empresa Gráfica da Bahia, 1996.
  • (Org.). Políticas municipais de educação. Salvador: Editora da Universidade Federal da Bahia, 1996.
  • A educação brasileira e o direito. Belo Horizonte: Nova Alvorada, 1997.
  • O parque estadual de Canudos. Salvador: Secretaria de Cultura e Turismo, 1997.
  • Porto de abrigo: diário de uma viagem a Macau. Petrópolis: Vozes, 1998.
  • UFBA: trajetória de uma universidade, 1946-1996: o Centenário de Edgar Santos e o Cinqüentenário da Universidade Federal da Bahia. Salvador: EGBA, 1999.
  • O Território da palavra, Salvador: Ianamá, 2001.
  • Metodologia da Pesquisa: Monografia, Dissertação e Tese. São Paulo: Atlas, 2004.
  • (Org.). O terreiro, a quadra e a roda: formas alternativas de educação da criança negra em Salvador. Salvador: Editora da Universidade do Estado da Bahia, 2004. Em colaboração com Ana Célia da Silva.
  • O Solar Góes Calmon. Salvador: Academia de Letras da Bahia, 2004.
  • (Org.). Cruz Rios: jornalista por vocação. Salvador: P & A, 2004.
  • Castro Alves: um parque para o poeta. Salvador: Secretaria de Cultura e Turismo/EGBA, 2006.
  • O cordel da vida: biografia, curriculum vitae, memorial, site e homepage. Salvador: Faculdade Apoio, 2007. 498 p.
  • (Org.) O centenário de Luiz Viana Filho, 1908-2008. Salvador: Instituto Geográfico e Histórico da Bahia; Academia de Letras da Bahia, 2008. 100 p.
  • A construção da Universidade baiana: origens, missões e afrodescendência. Salvador: Edufba, 2009. 272 p.
  • (Org.) Jorge Calmon – o jornalista. Salvador: Quarteto/Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. 2009. 301p.
  • Na trilha de Pedro Calmon. Salvador Quarteto/Instituto Geográfico e Histórico da Bahia. 2010.

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