Quilombo x Suzano: quilombolas querem apoio do governo na área ocupada em Nova Viçosa – Veja Vídeo

Cerca de 100 famílias remanescentes de quilombolas do Quilombo Rio do Sul ocuparam desde o final do mês passado uma nova área que anteriormente estava plantada de eucalipto. Os quilombolas já estão numa área às margens do rio Peruípe, na região do Rio do Sul, desde novembro de 2013. E mesmo a Fibria Celulose tendo recorrido à justiça e ganhado uma liminar do juízo de Nova Viçosa que lhe daria direito a reintegração de posse em 12 de dezembro de 2013, até os dias atuais o governo da Bahia não promoveu o cumpra-se para que a Polícia Militar promova o despejo dos quilombolas da área. Agora os mesmos quilombolas ocuparam uma área vizinha que estava sendo explorada pela empresa Suzano Papel e Celulose. Os ocupantes alegam que a Suzano está os pressionando usando dos mais diversos mecanismos, até usando a polícia ostensiva para intimidá-los e obriga-los a sair da área. Conforme Jair Gudulina, integrante do conselho fiscal da Associação dos Pequenos Produtores Rurais Remanescentes de Quilombolas de Nova Viçosa, eles querem atenção do governo e o título destas terras que já são deles por direito, reconhecida tanto pelo Ministério da Cultura em 2004, quanto pelo Incra em 2013, como área nativa de quilombo. O quilombola Antônio Felício Victor, o “Tonhão” informa que a área reivindicada pelos quilombolas compreende toda uma faixa entre o córrego do Taboca e o rio Peruípe. A faixa norte das terras exploradas pela empresa Fibria Celulose e a faixa sul pela empresa Suzano Papel e Celulose. O 1º tesoureiro da Associação dos Pequenos Produtores Rurais Remanescentes de Quilombolas de Nova Viçosa, Miguel Monteiro da Cruz disse que o grupo vai se manter na área até que o governo e a Suzano se entendam.  Os acampados estão no referido local à quase duas semanas sob barracas improvisadas e vivendo com muitas crianças entre eles no meio do nada, sem água e comida em meio uma extensa área deserta onde recentemente o eucalipto foi cortado, onde não possui nenhuma estrutura de morada, cobertos apenas por lonas. As quilombolas Arlete Pereira de Carvalho e Rogéria dos Santos apelam por ajuda da sociedade e do governo pela manutenção deles na área com o objetivo de plantar e comer da terra, mas temem a ação da CAEMA, que segundos os acampados, está a serviço das empresas de celulose, embora alegam que os agentes apenas os visitaram e aconselharam que retornem as suas casas por falta de abrigo no local. A CAEMA – Companhia de Ações Especiais da Mata Atlântica, com sede em Posto da Mata, distrito de Nova Viçosa, é uma unidade da CIPE – Companhia Independente de Policiamento Especializado do Estado da Bahia e foi oficialmente criada na região em 10 de agosto de 2004, com o objetivo de promover a ordem da zona urbana e salvaguardar as comunidades rurais. Segundo o Comando da CAEMA a unidade atua sempre como força do Estado objetivando garantir a integridade física das pessoas e a incolumidade do patrimônio.

Garantindo a preservação da ordem pública quando ela é  violada. No caso específico, a CAEMA foi determinada pelo alto comando da PM a garantir o livre exercício do trabalho e o direito de propriedade. Pois, as ações dos invasores que motivaram a suspensão das atividades da empresa no local, sobretudo, ameaçavam os funcionários da Empresa. Logo a polícia deve intervir nesta ocasião. Tudo conforme preceitua  a lei. E não houve registro de qualquer ato ilegal ou violento por parte da CAEMA nesse episódio. Além disso, líderes da comunidade de Rio do Sul estiverem no quartel sede da CAEMA em Posto da Mata, denunciando que tais invasores são em parte dissidentes de um grupo que ocupa uma área da FIBRIA próxima aquela comunidade. E, em depoimento prestado voluntariamente disseram que estas pessoas que invadiram a área da Suzano na maioria não são da comunidade Rio do Sul. Foram  recrutadas em Rancho Alegre, Posto da Mata é até no território vizinho Espírito Santo. Também, relataram  que os líderes da invasão não representam os interesses daquela comunidade.

(Por Athylla Borborema).

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