Noah, de 11 meses, foi resgatado em Ilhéus na manhã de quarta-feira (14), após ser levado à força em Firmino Alves na noite anterior. Dois homens suspeitos de envolvimento foram presos horas depois, em Ibicuí. A investigação busca esclarecer por que a criança foi escolhida e o que aconteceu durante o período em que ficou longe da família.

Nesta quinta-feira (15), ganhou repercussão o relato do pai sobre suspeitas de dopagem e de que o filho seria usado em um ritual. As declarações, dadas à TV Bahia e publicadas pelo Correio, não representam uma conclusão policial ou médica. A Polícia Civil informou ao g1 que continua apurando a motivação e a participação de todos os envolvidos.

A abordagem na praça e a mobilização da família

Segundo o comunicado oficial sobre o resgate, a mãe informou à PM que um homem armado tomou o bebê à força enquanto ele estava sob os cuidados do irmão, na Praça Agripino, no povoado de Ponto do Astério. O suspeito fugiu em um carro preto, em direção a Itabuna.

O irmão tem 15 anos. Conforme a cobertura inicial da TV Aratu, o pai trabalhava em um trailer de lanches na praça quando o menino foi levado. Ele tentou acompanhar o automóvel e, depois de perder o veículo de vista, gravou um apelo pedindo ajuda e a divulgação da foto do filho. Imagens de câmeras de segurança registraram o carro usado na fuga.

O delegado Roberto Júnior, coordenador regional da Polícia Civil, informou em reportagem do g1 de quarta-feira que câmeras ajudaram a reconstruir o percurso até Ilhéus, com passagens por Ibicaraí, Floresta Azul e Itabuna. Naquele momento, antes das prisões, a polícia já havia instaurado inquérito e ouvido familiares.

Vigilantes encontraram o bebê em uma cabana

Na manhã de quarta-feira (14), vigilantes localizaram a criança em uma cabana em Ilhéus. Acionados pelo Centro Integrado de Comunicações, policiais da 69ª Companhia Independente de Polícia Militar foram ao local e levaram o bebê ao Hospital Materno-Infantil. Segundo a SSP-BA, profissionais do Conselho Tutelar e da Assistência Social acompanharam o atendimento, e a ocorrência foi registrada na delegacia.

Dois suspeitos, uma arma e materiais infantis

As prisões ocorreram na noite de quarta-feira (14), na BA-130, em Ibicuí. A nota da SSP-BA sobre a operação informa que os homens estavam em um Kia Sportage com características semelhantes às do veículo apontado como usado no crime. Na abordagem, foram encontrados um revólver calibre .32, cinco munições intactas, fraldas, leite em pó, lenços umedecidos, mamadeira, chupeta e outros itens infantis.

A consulta aos sistemas policiais indicou divergência entre a placa e o número do chassi, além de restrição judicial de circulação. O carro, os materiais e os dois suspeitos foram encaminhados à Delegacia Territorial de Itapetinga. Participaram da ação a CIPRv de Itabuna, a 8ª CIPM, a Polícia Rodoviária Federal e a Polícia Civil.

Veículo, arma, munições e itens infantis apresentados pela polícia após a prisão de dois suspeitos em Ibicuí. Montagem divulgada pela SSP-BA.— Ascom/PMBA

De acordo com informações da Polícia Civil publicadas pelo g1 nesta quinta-feira, os presos têm 19 e 42 anos e foram autuados por porte ilegal de arma de fogo, receptação qualificada, adulteração de sinal identificador de veículo automotor e sequestro e cárcere privado contra menor de 18 anos. A corporação informou que permaneciam custodiados, à disposição da Justiça. A apuração segue para esclarecer a atuação de cada envolvido.

O relato do pai e o que ainda não foi comprovado

O pai relatou haver plantas conhecidas como espada-de-são-jorge no local onde o filho foi encontrado e uma estrutura que descreveu como um ninho. Na entrevista reproduzida pelo Correio, afirmou que o menino tinha ferimentos na perna provocados por espinhos. Esses elementos o levaram a levantar a hipótese de um ritual.

Ele também relatou salivação e dificuldade de o filho reconhecer a mãe, sinais que associou à possibilidade de a criança ter recebido alguma substância. “Não estava reconhecendo a mãe”, disse. O depoimento descreve a percepção do familiar; não identifica uma substância nem estabelece diagnóstico.

Nas notas oficiais consultadas, a polícia não confirma a hipótese de ritual nem vincula o crime a uma religião. A motivação continua em investigação. A interpretação de objetos ou plantas mencionados em um relato, por si só, não esclarece a finalidade do sequestro.

Cabelo pintado e informações sobre a saúde

O Conselho Tutelar de Ilhéus confirmou, em informação registrada pelo g1, que o cabelo havia sido pintado. A pigmentação saiu na lavagem realizada por uma técnica de enfermagem. O produto utilizado e a finalidade da alteração não foram esclarecidos nas fontes consultadas.

Às 9h44 desta quinta-feira, o Correio informava que Noah estava sob acompanhamento hospitalar, com previsão de alta no mesmo dia. Até o fechamento, o Notícia em Dia não localizou confirmação pública da alta nem resultado de exame que comprovasse intoxicação. A suspeita de dopagem permanece sem comprovação médica divulgada.

As perguntas que a investigação ainda precisa responder

A Polícia Civil informou que continua investigando a motivação e buscando identificar todos os envolvidos. Ainda precisam ser esclarecidos o papel de cada participante, as circunstâncias do abandono na cabana e o que ocorreu com a criança antes do resgate. Os dois presos não representam necessariamente o total de pessoas envolvidas.

Leia também a primeira reportagem do Notícia em Dia sobre a localização do bebê.

Fontes: comunicados da SSP-BA/Ascom PMBA; informações da Polícia Civil e do Conselho Tutelar publicadas pelo g1; cobertura da TV Aratu; e entrevista do pai à TV Bahia reproduzida pelo Correio. Apuração atualizada em 15 de outubro de 2026.